O Deus da primeira página – 1ª parte do estudo

O caráter singular das boas-novas

Texto básico: Atos 9.1-9

Introdução ao estudo bíblico

A julgar pelo sucesso da comunicação 24 horas por dia, podemos afirmar que, atualmente, somos viciados em notícias. Além de sermos informados sobre os acontecimentos que moldam o nosso mundo, ansiamos por ser parte de algo maior do que nosso ciclo de vida normal. Por mais importantes que muitos desses eventos possam ser, na maioria dos casos, eles vêm e vão. Semanas, mesmo dias, às vezes horas passam, e nós nos esquecemos das manchetes que momentaneamente captaram nossa atenção.

A mesma coisa acontece na igreja. Esquecemo-nos muito facilmente das coisas que mais importam — a ordem que Cristo nos deu para proclamarmos o evangelho e apascentar as suas ovelhas—por causa de modismos que vêm e vão. Cada modismo religioso parece deixar apenas desilusão e fadiga. No entanto, estamos sempre prontos para a próxima grande novidade.

Muito antes do surgimento dos modernos meios de comunicação, o conteúdo básico da fé cristã era designado “notícia” — na verdade, boa notícia, boas-novas: o evangelho.

Leitura para a semana

Domingo – Lc 3.1-2 Aspecto histórico
Segunda – 1Co 15.16-20 Ressurreição e vida
Terça – 1Co 1.18-21 Loucura da cruz
Quarta – 1 Co 1.22-25 Cristo crucificado
Quinta – Fp 3.4-11 Currículo vira perda
Sexta – Jo 1.4-9 A luz de fora
Sábado – Rm 2.18-21 Gravada no coração

I. A concretude das boas-novas

Eis aqui o ponto-chave do cristianismo. Por um lado, o evangelho é a notícia mais razoável na qual se pode acreditar. Infeliz-mente, não é isso que estamos acostumados a ouvir nestes dias. Segundo a opinião popular, religião é um salto irracional e, quanto mais você a investiga intelectualmente, mais probabilidade tem de superá-la. Ainda mais, infelizmente essa é uma pressuposição tão provável de se ouvir nas igrejas como na rua. A alegação de que “Jesus me faz mais feliz” é uma afirmação puramente subjetiva. Ninguém deve tomar-se um cristão simplesmente por causa da utilidade disso para a vida. O cristianismo não é uma fé baseada na utilidade, mas no amor gracioso de Deus que se manifesta de forma real na História, ímpar entre todas as reivindicações religiosas, o evangelho é um anúncio sobre determinados acontecimentos históricos. Em sua essência, então, o cristianismo não é um recurso para a espiritualidade, religião e moralidade, mas uma história dramática, cuja a centralidade é a afirmação de que, durante o reinado de Tibério César, Jesus foi crucificado por nossos pecados e, depois de três dias, ressuscitou dentre os mortos.

Por outro lado, o evangelho é “loucura para os que se perdem” (ICo 1.18). Religião e filosofia — aquilo que os gregos consideravam “sabedoria” — estão ali para ajudar-nos com nossa alma e questões práticas da vida. Toda essa conversa sobre a encarnação, vida, crucificação e ressurreição de um judeu parece fora de questão quando não se pensa realmente em si mesmo como pecador sob a ira de Deus.

Na medida em que continuamos a peregrinar nesta vida, o evangelho permanece estranho até mesmo para nós. Até o dia da nossa morte, vamos lutar para acreditar na notícia ruim (somos pecadores) e nas boas-novas que Deus anuncia para nós (o evangelho). Por natureza, não pensamos que nascemos em pecado, mortos espiritualmente, impotentes e incapazes de levantar um dedo para nos salvar ou impressionar um Deus santo. Consequentemente, não nos ocorre que nossa maior necessidade seja sermos redimidos, justificados, regenerados, santificados e glorificados pela obra salvadora de Deus em seu Filho e por seu Espírito.

Você reconhece o que é realmente uma notícia quando a ouve. Considere Saulo, o arquiperseguidor da igreja, a caminho de Damasco para outra perseguição aos seguidores de Jesus. Derrubado ao chão por um encontro cegante com o Cristo ressuscitado e ascendido, ele ficou tonto de perplexidade. Atuando de acordo com maior lealdade as suas mais profundas convicções sobre Deus e o desenrolar do plano divino na História, Saulo percebeu que todo o seu entendimento sobre Deus, sobre si mesmo, Israel e os gentios e toda a confiança que depositava no seu zelo moral estavam errados. Ele tinha compreendido de forma totalmente errada o que Deus estava fazendo em Jerusalém. A revolução foi tão poderosa em sua vida que seu nome foi mudado de Saulo para Paulo. Como apóstolo dos gentios, Paulo disse aos cristãos de Filipos que, apesar de ter moldado a própria identidade numa perspectiva estritamente judaica — “hebreu de hebreus”, mais zeloso do que os colegas no compromisso com a Lei —, ele tinha passado a enxergar a própria “justiça” como “refugo”. Tudo o que ele tinha acumulado pelo zelo e esforço mudava, então, para a coluna de débito, para “ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé”.

“Perseguidor da igreja encontra a salvação em Jesus Cristo.” Por essa manchete de primeira mão, Paulo estava disposto a sofrer a mesma perseguição que havia infligido aos outros. A notícia mudou tudo.

E Paulo já não seria a atração principal, mas representaria um papel secundário na história de Deus. Foi Paulo quem disse que o evangelho é “escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, (…) poder de Deus e sabedoria de Deus” (1 Co 1.23-24).

 

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