O Deus da primeira página – 2ª parte do estudo

No artigo anterior você leu a primeira parte da lição. Hoje vamos para a segunda parte e para a conclusão da lição. Para entender o artigo abaixo você precisa clicar aqui e ler a primeira parte do estudo. Bom estudo para você.

II. A graça das boas-novas

E notável que os escritores bíblicos tenham escolhido a palavra “evangelho”. A essência da maioria das religiões é bom conselho, boa técnica, bons programas, boas idéias e bons sistemas de apoio. Essas coisas nos fazem mergulhar profundamente em nós mesmos para encontrar a nossa luz, bondade e a voz interior. Nada de novo pode ser encontrado dentro de nós. Não há nenhum resgatador interior; eu só ouço ecos de minha própria voz dizendo-me todo tipo de coisas loucas para entorpecer o meu sentimento com medo, ansiedade e tédio, cujas origens eu não posso identificar verdadeiramente. Mas a essência do cristianismo são as boas-novas. Ele não chega como uma tarefa para executarmos, uma missão para realizarmos, uma estratégia para seguirmos com a ajuda de treinadores de vida, mas como um relato de tudo o que alguém já fez, realizou, seguiu e alcançou por nós. Bons conselhos podem ajudar-nos suprindo a orientação diária; boas-novas a respeito de Jesus Cristo nos salvam da culpa do pecado e da tirania deste sobre nossa vida e do medo da morte. As notícias são boas porque não dependem de nós. Trata-se de Deus e de sua fidelidade a seus próprios propósitos e promessas.

A pessoa comum pensa que o objetivo da religião é proporcionar a nós uma lista de regras e técnicas ou um esquema de modo de vida que nos ajude a sermos mais carinhosos, misericordiosos, pacientes, atenciosos e generosos. Claro, há muito disso na Bíblia. Como Moisés, Jesus resume toda a lei exatamente nestes termos:

amor a Deus e ao próximo. No entanto, por mais crucial que seja a manutenção da lei como revelação da vontade moral de Deus, ela é diferente da revelação da vontade redentora de Deus. Somos chamados a amar a Deus e ao próximo, mas isso não é evangelho. Cristo não precisava ter morrido na cruz para que soubéssemos que devíamos ser pessoas melhores. Não que exortações morais sejam erradas, mas elas não têm poder algum para produzir o tipo de mundo que elas propõem. Essas exortações e orientações podem ser boas. Se elas provêm da Palavra de Deus elas são, de fato,perfeitas. Mas não são o evangelho. O evangelho é a notícia de que Cristo já fez por nós, na cruz, tudo o que era necessário para a salvação e nos dá a fé para que creiamos em sua pessoa e em sua obra.

Como Paulo explica no início da sua carta aos Romanos (Rm 2.18-21), a lei foi escrita na consciência durante a criação. Todo mundo sabe que é errado matar e roubar. A idolatria é prova de que todos sabem que existe um Deus, e as tentativas das pessoas de acalmá–lo com seus próprios ritos e deveres espirituais se refletem em miríades de sistemas de sacrifício. No entanto, essa revelação original e universal é lei, não evangelho. Depois da transgressão original dos nossos primeiros pais, Deus não se veria obrigado de nenhuma maneira a salvar alguém. Tendo sido estabelecida a condição para entrar no seu descanso e da sentença por violá-lo, Adão e Eva não tinham razão alguma para esperar nada para si ou para seus descendentes, exceto a confirmação da morte eterna. Contudo, Deus escolheu livremente ter misericórdia. Outra palavra veio de seus lábios: a boa notícia de um Salvador que viria da carne de Eva, um novo Adão, que iria esmagar a cabeça da serpente. A partir de então, a raça humana foi dividida em duas famílias: uma representada por Caim e seu reino orgulhoso e outra representada por Sete, cujos herdeiros invocaram o nome do Senhor. Um reino, impulsionado pelo desejo de dominação, visa à prosperidade temporal, segurança e justiça, mas cai perpetuamente em violência e colapso interno. O outro reino, impulsionado pela promessa de Deus, contempla Deus por salvação e todas as bênçãos celestiais em Cristo.

Os programas religiosos e estratégias de divulgação podem criar centros sociais definidos por nichos demográficos, mas o evangelho cria uma verdadeira comunidade transcultural que reúne gerações, raças, ricos e pobres em tomo de Cristo e do seu banquete da graça.

Não é à toa que as pessoas ficam entediadas com a igreja e assumem que podem muito bem levar a vida sem ela, afinal, ninguém precisa ser cristão para saber que precisa ser uma boa pessoa, um bom cidadão ou uma pessoa generosa e amável. Precisamos voltar a ver Deus como o ator em cartaz novamente, em lugar de vermos a nós mesmos. Não somos nós que devemos encontrar um papel de coadjuvante para Deus em nossas campanhas pessoais e sociais para o bem-estar espiritual, moral e terapêutico. Precisamos parar e ouvir o anúncio de Deus sobre o que ele fez para salvar pecadores como nós. A única coisa que a igreja pode oferecer ao mundo, que é verdadeiramente singular, é o evangelho. Somente o evangelho realiza uma nova criação na presente era de pecado e morte. Essa é a mensagem fundamental da igreja de Cristo.

Conclusão do estudo bíblico

Muitos são os modismos que passaram pela igreja e muitos ainda virão. Muitos esforços e recursos foram gastos (e ainda serão) anunciando uma mensagem centrada no ser humano – sentir-se bem, ter prosperidade, travar batalhas… Tudo isso passa. Essa não é a notícia que a igreja recebeu e que tem o dever de anunciar a este mundo caído. As boas-novas anunciadas na Escritura, as boas-novas que transformam vidas são que Cristo pagou, na cruz, o preço do perdão dos nossos pecados, para que tenhamos nele e com ele vida nova, abundante e eterna.

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